quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Texto

Para a rua que me puxa o automatismo do meu corpo
e da minha mente
Caminhando não sei porquê, apenas que vou
Na mão já a garrafa de tinto vai a meio na melhor forma que tem para me introduzir ao pranto
Sentada travo um cigarro
e memórias
É melhor que nada este nada que eu tenho
Aquele que me chora cada noite
Aquele que me lembra que já me riu em tempos

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Hoje escreve Fernando Pessoa


Sei que não escrevo vão já três meses. Aliás, "escrever" no sentido literal da palavra, já não o faço há muito  mais que três meses.
No entanto, hoje também não o farei; acredito que Pessoa já o fez melhor que eu, dizendo exactamente o que gostaria de conseguir dizer.

Resto de boa noite.


"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"
"Momento Ideal"... Paraliza a Vida, Impede que o Presente Surja do Futuro Desejado, Mantendo-Nos no Passado sem Esperança da Amada Felicidade!"


Fernando Pessoa

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

(H)ora aqui, (h)ora ali

O ponteiro mais miúdo apontava para o segundo numeral cardinal. O graúdo ameaçava ao de leve o oitavo ordinal da escala ascendente.     
No azul turquesa do mineral quartzo, cravado nas horas, uma flecha flutuante dava a volta à circunferência.  
A bracelete pincelada num padrão axadrezado enrolava o pulso num beijo selado pela fivela prateada.            
O mostrador envolto em mil microscópicos diamantes, pousava elegante à espera de ser revisitado vezes e vezes e vezes seguidas…         

Estranho, o tempo… imenso ainda que não eterno e todo reduzido a um vulgar e singular objecto.     
Controlado pelo olhar e esperado sem se contar que avance…               

Um dia quebro aquele relógio...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Texto

E sem sequer suspeitares
És todo o meu prurido
Que me escorre por entre os dedos
Naquelas noites em que te ver
Me faz pior do que a distância